terça-feira, 21 de dezembro de 2010

“We have all, we're the best, we're the America”

Uma das mudanças que notamos em nós quando vivemos nos states, é que alteramos o lado do cerebro que utilizamos qd vivemos na Europa. Chegamos aos states a utilizar o lado esquerdo e logo logo, a realidade obriga-nos  a utilizar o lado direito.

Em Portugal sou conscientemente de centro esquerda, o que se poderia definir como a esquerda caviar, que se situa ali entre uma esquerda mais catita, que se diverte no bairro alto, frequenta a tasca do chico, vota no bloco de esquerda e na cdu, e é constituída na sua maioria por estudantes universitários, jornalistas, quadros profissionais do estado e operários qualificados; e outra esquerda, a Alfama, preenchida por profissionais liberais: advogados, engenheiros,  médicos e profissionais da escrita, com profundas preocupações sociais mas que ainda se comovem com o fado, veneram os simbolos e os valores ancestrais da nação e votam no PS e muitas vezes no PSD. 

Um mês de Pittsburgh bastou para que a minha alteração ideológica se produzisse. Muito cedo percebi que ali os ricos pagavam realmente a crise e pagavam-na de uma forma alegre e espampanante, anunciando as suas generosas acções em gigantescos cartazes colocados em bibliotecas públicas, museus, estádios de baseball, hospitais, residencias universitárias e universidades. Na universidade, as diferentes faculdades exibem orgulhosas o nome do seu benfeitor, a própria universidade exibe o nome do seu fundador, um antigo operário siderúrgico que entretanto fez fortuna e ofereceu uma universidade de enormissima qualidade à sua comunidade. 

Boquiaberta, em apenas um mês evoluí do centro esquerda para liberal… tornei-me numa fã incondicional do “american way of life”, defensora de um mercado regulado à Obama, admiradora histérica da senhora Clinton e até… um pouco tolerante com os disparates de Israel no médio oriente. 

E tamanha é a ironia, quando agora vejo pichada nas paredes de Lisboa, o slogan “os ricos que paguem a crise” e apetece-me sempre, acrescentar por baixo: “ na pátria do capitalismo os ricos também pagam a crise e com lucros assinaláveis”. :D


segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Love song... no muss... no fuss

Exigem-me, sobretudo as amigas de longa data, que partilhe com elas as vantagens e desvantagens do casamento, e pedem-me de uma forma tão deslumbrada, como se eu fosse assim de repente, uma “role model” da minha geração e que fugindo à logica dos comportamentos bem aceites, possa traçar uma constituinte de novos perceitos para as pós pitas hahaha. 

O acto que parece ser assim tão revolucionário e inesperado, é um mero  bocejo: casei-me porque me apaixonei… sendo cartesiana: se me apaixono, logo me caso e um provável  silogismo neo-aristotélico hahaha: se a paixão leva ao casamento, o mais  provável  é que todos os apaixonados se casem. (n liguem que a minha reflexão já está em pleno delírio) :D

Dizem que pressentimos que queremos casar com os nossos namorados, durante as refeições, sobretudo ao pequeno almoço. Com o Ike ao 3º pequeno almoço eu já estava plenamente convencida hahaha. É uma teoria ancestral minha hahaha, de que o comportamento à mesa projecta-se no corportamento em sociedade. Não tem nada a ver com classismos nem com o conhecimento dos rituais burgueses das boas maneiras, mas sim apenas com a comunicação física à mesa. 

Explicando melhor: o interesse dos temas de conversação, a partilha indulgente da informação, a fluidez da inteligencia entre os dois, a forma como se olha, como se passa os croixants e se pede o café, enfim é toda uma aprendizagem subtil das regras de um jogo, antes de se iniciar a jogá-lo em parceria. E é muito divertido :D

Este assunto dá pano prá mangas, por isso... to be continued xD

"Love song" dos Cure foi o tema que o Ike me cantou antes de partimos o bolo, e chorei tanto ai ai :D



domingo, 5 de dezembro de 2010

Steelers, Penguins, Pirates ou… 76ers ?

Desde o primeiro dia que senti que imensa informação me escapava no relacionamento quotidiano com os meus colegas e professores americanos, na universidade. E muito depressa percebi que esse “data loss event” era proveniente dos acontecimentos desportivos da semana. 

Todos torcem por um dos quatro desportos maioritários na cidade, American Football, com os Steelers, Ice Hockey com os Penguins e Baseball com os Pirates. O basketball apenas possui representação na liga universitária, mas há duas equipas da NBA em cidades proximas, como Cleveland com os Cavaliers e Philadelphia com os "Sixers" e que jogam na Eastern Conference da Atlantic Division. (a informação que já tive de assimilar hahaha)

Quando eu e marido nos tornamos mais intimos dos nossos vizinhos de piso,  um casal americano de investigadores universitários, na faixa dos 30 e tais, ainda sem filhos, o primeiro catalizador para os nossos “couples dates” foi o de os imitarmos na aquisição de bilhetes para meia temporada dos jogos da equipa de basketball dos Philadelphia 76ers (viagens de avião incluídas :D)… e nos tornamos assim fãs assíduos dos jogos na Wells Fargo Arena, em cumplicidade com os nossos vizinhos, os Yoders.

Mas, o que mais me motivou a escrever este post foi, a constatação de que qualquer dialogo mais intimo ou mais institucional, quer seja entre colegas ou entre professor e aluno, envolve uma série de referencias desportivas, desde o calão intrínseco à cada desporto até ao seu acervo táctico mais específico. 

E para nos integramos realmente nesta sociedade tão embrenhada nos desportos, percebemos, eu e marido, que teriamos de fazer como eles e aos poucos lá vamos também metendo os nossos bitaites desportivos no convívio com os real Americans. Go Sixers... Go Sixers... Go Sixers... !!! hahaha













quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A Dona de Casa Possível

Pois é… e como organizar refeições equilibradas e confeccionadas por mim qd tenho grande parte do meu dia  preenchido com aulas, seminários, trabalhos da faculdade e treinos de natação? 

Quando há um mês me casei a ideia era essa. Um imenso amor e uma cabana, e eu a exercer de dona de casa perfeita, a mandar e a organizar tudo e todos hahaha. Uma semana em Pittsburgh e comecei a perceber que a dona de casa perfeita devia almoçar take-away e jantar fora… a dona de casa perfeita tem 19 anos, passa a dia atarantada com as obrigações da universidade e à noite quer divertir-se com seu marido de 20 anos. Dois pós-adolescentes entregues ao seu próprio destino, fascinados pela responsabilidade que assumiram e ainda mais fascinados por não terem de prestar contas à mamã e ao papá de como organizam o seu tempo livre.

Restam os fins de semana para brincar de dona de casa prendada que recebe os vizinhos em grandes patuscadas vespertinas. Adoro cozinhar para almoçaradas de sábado e domingo servidas em extensas mesas repletas de gente divertida. E agora só me resta mesmo isso… cozinhar para os meus vizinhos.



quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Living In America

Quando se vive na Europa, a impressão que se tem dos Estados Unidos, é a de que na Europa estamos imensamente à frente nos mais variados parâmetros  e por isso mesmo somos observados, pelos americanos que pouco viagem, como autênticos extra-terrestres. Normalmente pensam que nos comportamos todos como os franceses dos filmes da "nouvelle vague". E Lisboa? Pois provavelmente é um cidadezinha ensolarada da Riviera Francesa. 

Pois, um mês após gozarmos a experiencia da vida universitária nos states, a percepção é a de que ainda continuamos muito à frente… perdão, ainda mais à frente hahaha,  mas… e existe sempre este delicioso "mas",  eles, os americanos e o seu "way of life", "melting pot" e todas estas metáforas… “estão lá”, nós somos "mais à frente" e eles "estão lá"; quer dizer: quando nos encaixamos na sua rotina quotidiana, reparamos que eles vivem dentro de uma ideia, de que a felicidade é algo que se deve adquirir já, agora ou agorinha mesmo. A vida é feita para ser divertida e… como reflectia um dia destes o meu sábio, introspectivo e muito tímido marido hahaha… este país é desenhado nos seus múltiplos aspectos, para pessoas divertidas e extrovertidas. 

Um exemplo a que o meu marido assistiu impávido e chocado: eu chego à piscina da universidade para mais uma jornada de treino na equipa de natação e às tantas, o sistema de som da piscina é invadido pela música “macho man” dos Village People, e desde as minhas colegas, os treinadores e funcionários, todos abandonam o que estão a fazer, e começam a dançar eufóricos, sincronizados numa coreografia muito divertida, eu que já passara várias vezes por esse “flash mob”, integro-me e enlouqueço dentro daquela coreografia. O meu marido bloqueia completamente, diante da súbita transformação da minha personalidade hahaha