sábado, 7 de maio de 2011

Ser Cosmopolita ou Ser Tacanho

No dia a dia, no relacionamento com o mundo que nos rodeia, podemos escolher seguir um de dois caminhos ou melhor, ter uma de duas visões antagónicas do mundo: ser cosmopolita ou tacanho e provinciano.

Ser cosmopolita é viver descontraidamente a troca de valores a que somos desafiados sempre que nos confrontamos com realidades diferentes das nossas. Sei que é complicado ter de ponderar a cada confronto, sobre quem tem a melhor razão, eu e a minha ortodoxia de valores ou o outro e a sua heterodoxia que desafia e coloca em causa, à minha cosmogonia milenarmente organizada e estruturada.

Este texto foi-me inspirado pelas declarações do seleccionador de futebol da França, Laurent Blanc, que afirmou que era necessário criarem-se critérios adequados à cultura francesa na selecção de jogadores para as  selecções francesas de futebol.

Uma das coisas que me provoca uma irritação tremenda é o debate em Portugal em torno da utilização de “jogadores de nacionalidade portuguesa, não nascidos em Portugal” nas selecções nacionais. Isto eleva o debate sobre este assunto, ao nível do pensamento social-nazi: “Deverão portugueses de 2ª, conspurcar à camisola da nossa selecção?” A ideia do “não e de modo nenhum” é defendida por jornalistas eminentes, ex-jogadores como Figo e Rui Costa e sindicatos de jogadores e treinadores etc.

Concluindo, o que quero afirmar é que a minha passagem pelos Estados Unidos mostrou-me que é na heterogeneidade que está a razão, somos sempre mais fortes quando temos do nosso lado os melhores entre nós, independentemente do lugar e culturas onde tenham nascido. A consanguinidade produz quase sempre doenças recessivas raras.






domingo, 2 de janeiro de 2011

30 horas de avião e... “Eu não estou preparada para isto”

 Devido a me ter deparado com um mundo tão diferente do que eu estava habituada, enquanto permaneci em Shangai a frase que mais pronunciei  foi: “Eu não estou preparada para isto”. Marido respondia-me sempre convulsivamente “Vá lá Chica, vamos desfrutar disto o máximo que pudermos!”

Tudo começou na lounge da lufthansa em Frankfurt am main. Estavamos a viajar à pala da equipa de vela de marido e por isso a viajar em primeira classe desde Lisboa. Em Frankfurt mudamos da TAP para a lufthansa (pensava eu), e de facto, durante 2 horitas,  estivemos tranquilos na lounge de 1ª classe encafuados numas enormes poltronas, a viajar na net e a comer coisas doces alemãs  com chá quentinho e leite condensado. 

Logo a entrada do gate apercebi-me que as hospedeiras eram asiáticas e pertenciam à… “não pode ser Ike, temos bilhete pá TAP, estivemos na engorda na lufthansa e agora vamos viajar na Air China International?” Marido faz sempre um sorriso nervoso para as pessoas pq eu sem querer, às vezes penso demasiado alto e ele vê-se sempre na obrigação de exibir um esgar com a mensagem “É louca mas tá a tratar-se e não morde”.

Durante todo o voo… e reconheço que devo ser insuportável para as pessoas que desgraçadamente me têm de servir, nos restaurantes, hoteis e sobretudo aviões… durante o voo, estavamos fechados numa enorme cabine em que eu podia vislumbrar silhuetas de umas 20 pessoas, era um voo nocturno,  ouvia-se com nitidez o zumbido da presurização, e durante as primeiras horas do voo, fui solicitando a hospedeira, sempre que me apetecia alguma coisa: mais uma almofada, jornais e revistas, mais uma “entrada”(queijos, enchidos e croquetes), que repeti duas vezes durante o voo, já que detestei o “sky roast” e a “noodles soup” do jantar, não os provei sequer pq tinham uma apresentação horrivel. 

A certa altura vislumbrei um franzir de testa da hospedeira e confidenciei com marido, “Ela odeia-me”, enfiei-me no edredon, apaguei as luzes e não chateei mais ninguem, adormeci no resto do voo, saltitando de pesadelo em pesadelo, cheios de  hospedeiras de olhos amendoados. 

Chegamos ao aeroporto de Pudong eram duas da tarde locais, mas 7 da manhã no meu relógio biológico e estomago, ficamos num hotel no aeroporto, e a primeira irritação veio com a geometria da cama, era uma cama redonda; soubemos que havia um Sofitel ao lado e mudamos de hotel. A vista da nossa janela dava para  a zona de aterragem, sempre era entretido ver esse pormenor técnico e premiar com uma pontuação os melhores landings. 

Quando tentei aceder a net tive a desagradável surpresa de estar encerrada dentro do território chinês. Não conseguia aceder ao meu email, nem ao twitter e mt menos ao facebook. Momentaneamente sentia-me em pânico, mas logo logo,  me esqueci da net e fomo-nos divertir para Shanghai.

Na realidade, nos dois dias de Shanghai, só voltavamos para o hotel já tarde e cansados, tomavamos um banho de imersão, bebiamos um chá Pu-erh e adormeciamos. Pela manhã, apanhavamos o Shanghai Transrapid (um comboio maglev de alta velocidade) que nos levava ao centro da cidade, passavamos o dia a cirandar pelas duas margens do rio Huangpu, a visitar desde o “Museu da Ciencia e Tecnologia” ao “Aquario de Shangai”, o “Jardim Zoologico”, passeavamos e faziamos as nossas refeições, pelos bairros mais tradiconais, que ficam na outra margem do rio, tais como o “Bund”, o “Puxi” o “Xintiandi”, e imergiamos fascinados, nos fantásticos centros comerciais de Xujiahui. 

No dia 2 de Janeiro e por alguma circunstancia que não entendemos, o nosso voo para Auckland foi cancelado e tivemos de buscar alternativas, ir por  Sydney ou por Hong Kong… marido fechou olhos, entrou em transe (ele faz isso sempre que tem de tomar uma decisão rápida, presumo que seja uma técnica de racicínio só acessível a velejadores) e decidiu, “se formos por Hong Kong, amanhã estaremos em Auckland”… 

Assim às 3 da tarde apanhamos voo MU 8011 da China Eastern Airlines e 3 horas depois estavamos em Hong Kong, repimpados na Thai First Class Lounge, a mastigar “coconut shrimps”, “garlic shrimps”, “crab cakes“ e a beber San Miguel, (isso o marido pq eu encharcava-me em chá de tamarindo e bolinhos de pa-tong-ko) à espera do nosso voo de 11 horas para Auckland.