No dia a dia, no relacionamento com o mundo que nos rodeia, podemos escolher seguir um de dois caminhos ou melhor, ter uma de duas visões antagónicas do mundo: ser cosmopolita ou tacanho e provinciano.
Ser cosmopolita é viver descontraidamente a troca de valores a que somos desafiados sempre que nos confrontamos com realidades diferentes das nossas. Sei que é complicado ter de ponderar a cada confronto, sobre quem tem a melhor razão, eu e a minha ortodoxia de valores ou o outro e a sua heterodoxia que desafia e coloca em causa, à minha cosmogonia milenarmente organizada e estruturada.
Este texto foi-me inspirado pelas declarações do seleccionador de futebol da França, Laurent Blanc, que afirmou que era necessário criarem-se critérios adequados à cultura francesa na selecção de jogadores para as selecções francesas de futebol.
Uma das coisas que me provoca uma irritação tremenda é o debate em Portugal em torno da utilização de “jogadores de nacionalidade portuguesa, não nascidos em Portugal” nas selecções nacionais. Isto eleva o debate sobre este assunto, ao nível do pensamento social-nazi: “Deverão portugueses de 2ª, conspurcar à camisola da nossa selecção?” A ideia do “não e de modo nenhum” é defendida por jornalistas eminentes, ex-jogadores como Figo e Rui Costa e sindicatos de jogadores e treinadores etc.
Concluindo, o que quero afirmar é que a minha passagem pelos Estados Unidos mostrou-me que é na heterogeneidade que está a razão, somos sempre mais fortes quando temos do nosso lado os melhores entre nós, independentemente do lugar e culturas onde tenham nascido. A consanguinidade produz quase sempre doenças recessivas raras.
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